Boas-vindas!

Bem-vindos ao blog PROJETO POETAS LATINOS!


Criado por nossa firma, Cyclicus Editorial, o PROJETO tem como objetivo inicial publicar, em volumes uniformes, as obras completas que nos chegaram dos poetas do período de maior efervescência da literatura latina clássica, isto é, os séculos I a.C. e I d.C., de Lucrécio a Juvenal. Dentro desse objetivo, lançamos o blog homônimo para podermos divulgar o PROJETO e manter o leitor a par das novidades.


Se é lícito defender o ineditismo e a relevância de nosso empreendimento, observaremos apenas que jamais algo parecido foi tentado na história editorial brasileira. Já se fizeram anteriormente, como todos sabemos, várias traduções de certos autores ou de obras específicas, em prosa ou em versos, seguindo os mais diversos critérios. No entanto, jamais testemunhamos uma iniciativa que colocasse todos esses nomes clássicos de uma das matrizes vitais de nossa cultura, e todo o seu espólio restante, ao alcance do leitor brasileiro, reunindo-os em uma coleção uniforme, com texto bilíngue, e empregando critérios definidos de tradução capazes de manter a fluência, a dinâmica e a expressividade métrico-rítmica dos versos originais.


Desde já, agradecemos a todos pelo interesse e apoio.


Acácio Luiz Santos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os protagonistas da natureza


Lucrécio (Titus Lucretius Carus). Da Natureza das Coisas.
I,54-61.
Ora sem mora a suprema ― do céu e dos deuses ― razão
a explicar principio e a origem das coisas explano: 55
como a natura concebe as coisas, e acresce, e nutre,
e como restaura o que anteriormente havia destruído;
e como nós, à matéria e aos corpos gerantes das coisas
a restaurar, com razão nomeamos sementes das coisas,
como de outra maneira chamar costumamos a eles 60
corpos primeiros, que deles primeiro existem as coisas.

Embora o estudo da natureza em Lucrécio, como em seu mestre Epicuro, não seja um fim em si mesmo, ele não deixa de ser imprescindível, pois constitui-se como um meio para o homem compreender como chegar ao usufruto da verdadeira felicidade. No primeiro livro de sua obra magna, ele procurará explicar os fundamentos e condições a partir dos quais a natureza opera e, desde já, apresentará os protagonistas da, por assim dizer, máquina do mundo: os átomos. Conforme a lição de Demócrito de Abdera, estas partículas (que significam “indivisível” em grego), são o fundamento eterno e infinito das coisas. Epicuro, por sua vez, aceita a teoria atomista de Demócrito e, como tal, ela será desenvolvida em versos por Lucrécio, que presta, aliás, mais de uma vez em seu poema, tributo a Demócrito. Observemos que Lucrécio jamais emprega a palavra grega, preferindo utilizar, para se referir aos átomos, uma variedade de termos: primeiros princípios das coisas, primórdios das coisas, corpos gerantes das coisas, sementes das coisas, corpos primeiros. Isso se torna para ele uma vantagem, pois lhe permite, conforme a métrica o exige, preencher a medida do verso através da seleção da variante mais adequada para cada caso, procedimento que aliás seguimos em nossa tradução. Além disso, com essa opção, Lucrécio põe em destaque não a mera propriedade física (a indivisibilidade) dos átomos, e sim a funcionalidade deles na natureza, de se combinarem para gerar todas as coisas existentes e, após algum tempo, de dissolverem seus arranjos e, novamente livres, criarem outras coisas. À eternidade dos átomos, princípios de todas as coisas existentes, opõe-se a transitoriedade de todas as coisas: tudo o que é criado no mundo – e o próprio mundo! – em verdade terminará por se dissolver. Destacando esta faceta dos átomos, o poeta Lucrécio prepara o espírito do leitor para reconhecer a efemeridade das coisas e, assim, abandonar o medo de morrer e buscar os verdadeiros prazeres da vida, no curto evo que cabe a cada um e que não deve ser desperdiçado em vão.

Tradução e comentário:
Acácio Luiz Santos.

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