Boas-vindas!

Bem-vindos ao blog PROJETO POETAS LATINOS!


Criado por nossa firma, Cyclicus Editorial, o PROJETO tem como objetivo inicial publicar, em volumes uniformes, as obras completas que nos chegaram dos poetas do período de maior efervescência da literatura latina clássica, isto é, os séculos I a.C. e I d.C., de Lucrécio a Juvenal. Dentro desse objetivo, lançamos o blog homônimo para podermos divulgar o PROJETO e manter o leitor a par das novidades.


Se é lícito defender o ineditismo e a relevância de nosso empreendimento, observaremos apenas que jamais algo parecido foi tentado na história editorial brasileira. Já se fizeram anteriormente, como todos sabemos, várias traduções de certos autores ou de obras específicas, em prosa ou em versos, seguindo os mais diversos critérios. No entanto, jamais testemunhamos uma iniciativa que colocasse todos esses nomes clássicos de uma das matrizes vitais de nossa cultura, e todo o seu espólio restante, ao alcance do leitor brasileiro, reunindo-os em uma coleção uniforme, com texto bilíngue, e empregando critérios definidos de tradução capazes de manter a fluência, a dinâmica e a expressividade métrico-rítmica dos versos originais.


Desde já, agradecemos a todos pelo interesse e apoio.


Acácio Luiz Santos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Um testemunho de amizade


Lucrécio (Titus Lucretius Carus). Da Natureza das Coisas.
I,136-145
As descobertas obscuras dos Gregos, não o nego, são árduas
de ilustrar ao ânimo em ásperos versos latinos
― em especial, como se hão-de expressar muitas novas palavras ―,
pela pobreza da língua e a feliz novidade do assunto.
Tua viçosa virtude no entanto, e a agradável volúpia 140
da amizade suave, a aturar qualquer dura empresa
me persuade e induz a velar longas noites serenas
a procurar com que ditos e cantos enfim eu consiga
com êxito diante de ti colocar clara luz em tua mente
para que possas ’studar com afinco as coisas ocultas. 145

Em várias passagens de Da Natureza das Coisas, Lucrécio admite a dificuldade de comunicar em língua latina as ideias novas trazidas pelos gregos. Se, por um lado, essas passagens se exprimem conforme um recurso retórico convencional – o do autor que admite sua dificuldade em expor o assunto em questão, mas que mesmo assim tentará dissertar sobre ele, empenhando o melhor de seus esforços para trazer ao público algo digno de atenção – , por outro, Lucrécio habilmente o associa a um ato de amizade: ele se esforça para trazer belos versos de correta razão a Mêmio, não apenas movido por mero dever de ofício, como professor dele, mas comovido de afeição, pela virtude e amizade do pupilo. Lucrécio, portanto, redimensiona e ressignifica o valor da amizade, trazido da leitura de Epicuro, e, com seu canto, afirma seu ser triplamente: como mensageiro de uma boa nova; como digno amigo; e como poeta. Esse mesmo canto, por sua vez, dará ao destinatário e leitor-alvo, Mêmio, uma tripla dádiva: a doutrina que Lucrécio acredita ser a via para a verdadeira felicidade; um testemunho e prova de amizade; e o usufruto de versos executados com amor, habilidade e carinho, numa bela afirmação do verdadeiro sentido da vida.

Tradução e comentário:
Acácio Luiz Santos.

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